sábado, 3 de julho de 2010

Nostalgia.



O tempo tem uma doçura inerente; engraçado é se tornar diabético de tanto consumir tempo. Mais engraçado ainda é perceber que o tempo passou e apesar do que pareça você mudou e provavelmente fez coisas que há pouco tempo, no doce encanto da descoberta, você dissera que nunca faria.

É divertido lembrar os momentos felizes, rir de coisas que até então te irritavam. É primoroso ter encanto pelas mesmas coisas de dez anos atrás. Hoje é sábado, dia de sentir falta; Dia de sentar no sofá e lembrar-se de quantas pessoas já andaram por passos pertos dos seus.

Feliz é ter o que lembrar... Um amigo-irmão com quem se dividiu histórias, que provavelmente nunca aconteceram, sobre transas, porres e loucuras já feitas na vida. Ou quem sabe uma antiga namorada, com quem se teve muita sorte, e momentos cinematográficos de tirar o fôlego e que em um drástico momento de término o mundo pareceu desabar, e por alguns poucos dias, pareceu verdadeiramente que a dor nunca ia passar ou talvez que você nunca mais fosse se apaixonar.

É bom se apaixonar, ter um amigo do peito, algumas pessoas nas quais você, por uma parte de tempo da sua vida, depositou toda sua confiança. É bom e bom é poder olhar para trás, em um sábado nostálgico e perceber que as historias inventadas, os momentos apaixonantes, as dores de amor e tudo que cada pessoa que passa por você, carrega consigo, tudo isso é o que compõe você. Tudo isso é o que tece o infinito campo da nossa vida, e tudo isso flui de maneira deliciosa como num gozo não esperado. E quando você menos espera, em um sábado deitado em uma rede, tudo que está fluindo deixa de fluir por um segundo e nesse segundo em que tudo para, o que era apenas fluido vira lembrança.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

1ª idéia sobre amor.


Te darei amor em cor de amoras,
se me amas te dou cor,
me cora,

Te darei meus sonhos,
se sonhas comigo,
tudo é um sonho só,

Te darei palavras,
sem elas me calo,
e te admiro,

Te darei minha musica,
desafinada,
desatinada,

Minha alma pede silencio,
pede carrego,
pede colo,

Cola em minha carne,
aquece,
nutri,

Deixa tudo num abraço bom,
me abraça,
e deixa,

Sossega o palpitar dos segredos,
te conto ao pé do ouvido,
te canto,

Te internalizo em meu peito,
guardo teus beijos,
te guardo como um agrado,
dentro de mim.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Parabéns.


Para bens maiores te dou, flores,
te deixo em casa,
te caso.

Para bens comuns te presenteio, um poema,
um canto,
te encanta.


Para bens felizes, te desejo,
e só.


Para bens sinceros lhe dou, silencio,
Parabéns, me calou.

domingo, 30 de maio de 2010

Metáforas estáticas de quem já andou.


Um palacete de idéias me compõem,
até os meus limites ficam centrados no chão,
os pés,
a boca e o cérebro,
tudo arde de forma sonolenta e silenciosa,
os movimentos são apenas uma figura,
da miniótica dos nossos sentidos pedintes,
as pessoas passam,
olham e passam de novo,
beijam,
tocam e beijam de novo.
Renovamos nossas palavras para que o tempo se torne mais curto,
e então tudo se contradiz,
e pra variar as peles e as veias se aquecem,
fundindo todos os microorganismos que existem entre o falar e o poder,
entre o infinitismo de variedades,
ilusões e caminhos já seguidos.
Pronto de esperas melancólicas,
e cólicas pré-menstruais,
que são minhas velhas distorções,
pronto um segundo se passou,
outro,
e mais um para contornar os caminhos fáceis,
e as crônicas da vida rotineira dos pés,
e do caminhar excitante das mãos.
Aqui o tempo para,
o som não ruge,
o sono não abala,
a fome não afeta,
a dor é ilusória,
e a morte apenas um motivo...
Aqui jaz um homem que se encontrou...
E suas cordas.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Dizem por ai...


Dizem por ai que o tempo é algo que cura,
que é algo que os homens tentam ter controle,
mas isso não é possível.

Fotógrafos dizem que o tempo,
é o amanhecer.

Religiosos dizem que o tempo,
é uma conquista eterna,
e que sem ela não haverá perdão.

Poetas dizem que o tempo,
é o ingrediente principal de toda filosofia,
como se só o tempo bastasse para surgir o pensar.

Mulheres dizem que o tempo,
é a chave para a riqueza da Avon,
como se o tempo tivesse culpa de nossa humanidade.

Homens dizem que o tempo,
é algo do qual nem sempre se devêsse lembrar,
mesmo que isso acarrete em toda desolação filial.

Médicos dizem que o tempo,
é a margem entre a vida e a morte,
entre o nascimento e o abandono.

Loucos dizem que o tempo,
é algo que incomoda e corroe os tímpanos,
deixando dentro da cabeça vozes soltas que lhes cantam poemas.

Velhos dizem que o tempo,
passou.

Crianças dizem que o tempo,
é o amanhã,
mas elas não dizem em palavras, dizem com atitudes.

Jovens dizem que o tempo,
não existe.

Apaixonados dizem que o tempo,
é sempre pouco quando se ama.

Solitários dizem que o tempo,
é sempre muito, quando se está só.

Amantes dizem que o tempo,
nunca passa pra quem leva a eternidade nas costas.

Viciados dizem que o tempo,
não passa no além,
e que pessoas podem chegar ao além sem morrer.

Eu digo que o tempo,
surge no amanhecer,
e sai para dormir á meia noite,
digo que o tempo é cativo de sensações quase inerentes,
que sem ele, não haveria massa,
digo que estamos tão temporalizados,
que o tempo é quase um molde para tudo.
Eu digo que o tempo e nada, são sinônimos
Sem tempo não a nada,
nem pausa, nem vento,
não há jeito de se ter medo,
e então é tudo quimica, bohemia e razões sem nexo para viver.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Sentido Aberto.




Hoje eu acordei com vermes na cabeça, lipídios e cobras...
Tudo flutuando com minhas estrelas,
o cruzeiro do sul tomou uma forma totalmente corpórea,
com traços iguais ao da madona,
vejo mil mulheres a cada segundo em meu caderno de ilusões,
gosto de fazer isso acompanhado de palavras,
pra mim parece mais divino,
odeio mulheres frias,
sem sonhos nem poesia.
Sou capaz de compará-las aos cemitérios no inverno,
neles só habita o sono eterno.
Deus meu, não quero ter um sono eterno após a morte,
tenho medo de morrer por isso!
eu só escrevo poesia pela noite,
 se eu dormir eternamente,
não me desfarei das idéias,
até explodir de tesão poético.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Nada mais do que um estudo minucioso dos sentimentos e da moral do meu cachorro.




Acendi as luzes, como se quisesse ser algo divino por um dia,
falei pra mim mesmo sobre os pestanejos seguidos causados pela dor de amar.
Conjuguei os mais distintos verbos ligados à solidão,
tentando imitar a dor,
ou apenas me despir dos seus sangramentos,
queria me ver nela,
ser mais um corpo nozado.
O preceito mais comum dos seres crentes em si próprio,
é crer que sentir o calor do corpo oposto é pecado mortal.
De fato morri,
morri apenas uma vez em minha vida,
Desisti de pensar em desgaste da alma,
passagens caras para o céu,
impostos por não ser humilde,
decidi morrer de uma vez,
só pra senti como era.
Então atirei em mim mesmo uma bala de solidão,
que atingiu poucos grandes centímetros acima do meu enlace com a carne,
A única parte central do homo-sapiens,
que eu levaria a morte comigo,
Dividi entre meu respirar,
um suave desejo de não voltar,
e um suspiro de arrependimento,
era sentimento de morto...
Sublime de se dizer que é poesia,
A lagrima nem ousou sair dos olhos,
por medo de continuar vivendo só.
Por um segundo me retrovendo no espelho,
percebi que os olhos são como dois lápis dignos de deus,
que fugiram da ordem direta das cores,
onde as luzes refletem com medo de entrar.
Estrambólico!
Assim podendo sentir por ultima vez,
o perfume oposto invadir meu pudor,
me desvendo do meu ser criança...
Se me lembrasse o nome do perfume,
teria  morrido antes.
O perfume não vem por si só,
vem acompanhado de uma mão,

Uma observação pré-morte:
-A mão é apenas um objeto de pura,
e sólida demonstração da carecia de toque.

A mão tocou minhas costas,
pernas e braços,
como se limpando meu suor de defunto,
lhe desse o alivio de poder soltar mais perfume.

Lembrei!

Cheiro de corpo:esse vem dos fluxos mais internos,
e dos desejos mais desinibidos da mulher.
A pele revida o toque da mão.
Na verdade ela agradece,
levanta cada poro,
como se fosse lábios,
a fim de beijar o corpo capaz de causar tal mornor,
sejamos poéticamente sinceros,
é um calor!
que sobe e desce sobre os dois corpos.
A primeira ligação humana vem daí,
Já me disseram uma certa vez,
que somos compostos de natureza,
algo do tipo pássaros e flores,
O quinto clarão explica melhor do que ninguém a teoria do nascimento,
ele foge das idéias de cio,
e corre na facilidade de falar de onde surgiu o primeiro toque.
Ainda com o efeito causado pela mão,
a pele repele qualquer tensão,
e devaneia num paraíso criado pelo meu próprio ente.
Coisas morfológicas,
e etimológicas,
não são sensíveis como um só.
A humanologia central diz,
que os corpos em atrito sem constancia,
criam matérias imutáveis do tipo tóxicas e viciantes,
logicamente centradas a certas partes do corpo.
Então começo a fazer sonhos,
começo a cria religiões,
etnias e banalidades pra quem possa ler.
Começo a sentir a minha natureza fazer filhos dentro de mim,
Isso é privilegio dos homens imunes de ainda poder chorar.
É como se o corpo passara do patriotismo ao querer nascer,
Coroando o mel com os olhos,
pra deixar de falar com as mãos.
A alma arde,
e impede a natureza homenzada,
de postular seu titulo de pai.
E esquece que no inferno,
o fogo nem chega aos pés do fogo de amar.
E então se desola de piedade,
fazendo um documento vivo e sem assinaturas,
como se de repente,
parasse pra ordenar o corpo a voltar á respirar.
Então sim, fiz poesia com o corpo,
fiz um sentimento de morto e renascido.
Não só morrido,
como enterrado nos pseudônimos chamados de sob.
Lembrei de bares,
copos,
cigarros,
e tecnologias simples,
esqueci do corpo.
Cai das tentações mortais,
larguei nos sonolentos enganos,
tudo o que ainda podia me fazer você.
Simplesmente calei os sonhos banhados de cheiro de corpo,
banhados de agonias,
que retorceram minha pele,
como se pudesse secar em milésimos de algo não contável pelo tempo.
Algo já feito por não humanos,
algo que só as flores e os pássaros sentem.
Deixei essa unidade para os poetas,
só eles no seu campo de boêmios,
poderiam adquirir a mesma,
e á eles foi dado grande suor,
após momentos de suar alegrados,
e não por correr,
mas sim por falar sem medo do ato de fazer amor.
Sim... Os poetas não têm pudor.
São dignos de crescerem entre os bêbados,
de falar coisas tortas,
sem valor moral.
São dignos de usarem uma língua universal,
algo alem da língua dos beijos,
algo que até os feios entenderiam.
Só compatível por apaixonados pelo corpo,
até pelo do mesmo sexo,
não tem preconceito,
nem vergonha.
Os deuses se orgulham de muitas coisas,
Mas eles lembram em primeira mão,
de sua obra natural.
A poesia.